FONTE: EXTRA – 26/07/2013

Flávia Junqueira

Padre Wellington gostou de uma casula verde com dourado Foto: Lucas Figueiredo / EXTRA

Penduradas em araras e organizadas por cor, casulas bordadas com símbolos eucarísticos faziam os olhos de padres e seminaristas brilharem, em estandes montados na Cidade da Fé, no Riocentro. Como quem escolhe um traje de gala para uma festa de arromba, eles são criteriosos e passam, cabide por cabide, as túnicas usadas nas celebrações. Experimentam, reclamam do comprimento, do caimento. São clientes exigentes, mas descartam qualquer vaidade. Tudo em nome do ritual da missa.

— Não é vaidade. É outro sentido. As casulas, as estolas, fazem parte do ritual. A missa começa bem antes para o padre. Na hora da paramentação, já começo a me concentrar para a liturgia — diz padre Wellington Gusmão, de 29 anos, que, além das casulas que pertencem à sua paróquia, tem outras cinco e procurava um modelo verde.

Ele, que comanda a Paróquia Santo André, em São Cristóvão, e as igrejas do Caju, acredita que vale a pena caprichar no visual para atrair a atenção do rebanho:

— Tudo é comunicação. A forma como você fala, como se veste, tudo passa informação.

Padre Alex gostou de um modelo verde com bordados dourados em veludo, marca registrada de Maria Laura Foto: Lucas Figueiredo / EXTRA

Uma comunicação com preços capazes de salgar a Santa Ceia. Casulas mais simples saem por cerca de R$ 300. Já as mais bordadas, com veludo, pedrarias e rendas, podem custar R$ 2.800. As estolas variam de R$ 150 a R$ 630. Algumas lojas dividem em até seis vezes no cartão. À vista, ganha-se uma indulgência, 10% de desconto. Tudo para atender aos clientes, cuja côngrua (salário) gira em torno de R$ 1.356.

Padre Alex Dias, da diocese de Dourados, no Mato Grosso do Sul, aproveitou a quarta-feira para ir ao Riocentro e dar uma olhada nas casulas.

— Em feiras como essa, os preços ficam mais em conta — disse ele, encantado com um modelo verde com pedrarias.

O preço, R$ 1.350, ele pechincha com Maria Laura Faria Santos Correia, dona da D&A, uma das lojas mais tradicionais do país.

A portuguesa de 74 anos — há 53 no Brasil — interrompe a venda para acalmar um padre que entra aflito na loja.

— Maria Laura, minha santa secretária queimou com o ferro a renda francesa de uma túnica que você fez para mim — diz ele.

— Mande a túnica pelo correio e troco apenas a parte queimada. Fica mais barato.

O padre sai aliviado e Maria Laura sorri. Acaba de ganhar uns pontinhos com Deus.

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