FONTE: G1 RELIGIÃO – 09/08/2008

ExpoCatólica, que reúne produtos de igreja, fica aberta até domingo (10). 
Em um dos estandes, bafômetro foi colocado à disposição de compradores.

Carolina Iskandarian
Do G1, em São Paulo

Padre João faz teste do bafômetro após beber vinho sem álcool (Foto: Carolina Iskandarian/G1)

Ela é o paraíso dos católicos. Realizada no Expo Center Norte, na Zona Norte de São Paulo, a ExpoCatólica reúne tudo o que o universo dessa Igreja pode abrigar. São santinhos, velas, incensos, roupas, livros religiosos, diversos modelos de sinos, terços e até bancos usados em missas. Entre as atrações que mais chamam a atenção, está o vinho sem álcool.

Em tempos de “lei seca”, eles são uma verdadeira “benção” aos padres que precisam rezar muitas missas por dia. No estande da Sobrietá, que distribui o vinho canônico La Dorni, até um bafômetro foi colocado à disposição dos compradores para atestar o efeito “zero álcool”.

O padre João Batista Alves, de 44 anos, degustou o vinho sem álcool. Em seguida, fez o teste. Para surpresa de todos, deu positivo. Ele riu e explicou. “É que bebi outros vinhos hoje (sexta)”. Para ele, a bebida sem álcool não deve ser usada nas missas porque não teria a mesma representação do vinho tradicional. “Para a consagração, é preciso ter o vinho com álcool. Senão, é suco de uva”.

O padre, que trabalha como capelão militar em uma escola para cadetes em Campinas, a 93 km de São Paulo, nem se preocupa com as blitze da polícia, que caçam os motoristas embriagados. “Os fiéis me levam para casa quando preciso”, conta. O produtor do vinho sem álcool Leandro Valente Simões, de 38 anos, comemora o rigor da lei, que entrou em vigor em junho e pune as pessoas que dirigem após ingerir bebida alcoólica. “A procura aumentou três vezes”.

Sacolas cheias

Não é difícil esbarrar nos corredores com monges, padres e freiras carregando sacolas e se rendendo ao consumo na feira, que está em sua 6ª edição. Na noite de sexta-feira (8), Maria Laura Correia, de 69 anos, vendia batinas e casulas (manto que vai por cima da batina) para um casal argentino.

Maria Laura contempla batinas e casulas, usadas pelos papas João Paulo II e Bento XVI (Foto: Carolina Iskandarian/G1)

Gerente de produção da D&A Decorações e Artesanato Litúrgico, ela foi uma das que montaram um estande na feira. “Temos loja na Argentina e a D&A tem a melhor relação qualidade e preço”, explicou a consumidora Alícia de Petris, 56, após a compra.

Maria Laura ri. “Se a gente faz com amor, tudo sai bem feito. Graças a Deus”, afirma ela, referindo-se ao sucesso das peças coloridas, que têm como inspiração a arte sacra e os simbolismos cristãos. Ela e sua equipe já fizeram vestimentas para o papa João Paulo II e, recentemente, para o atual pontífice, Bento XVI, que esteve no Brasil em 2007. “Ele (Bento XVI) gostou tanto que levou para Roma”, informa Maria Laura.

Ligação divina

Além da empresária Maria Laura, outro católico que teve a chance de presentear o papa Bento XVI foi o paulista Martinho Rocha, de 48 anos. Alguns meses antes da visita, realizada em São Paulo, em maio do ano passado, ele diz ter recebido uma “ligação divina”. “Pediram que a gente fizesse os incensos que seriam usados nas missas”. A princípio, ele e a secretária acharam que se tratava de um trote, mas, quando viram que a solicitação era de verdade, correram contra o tempo.

Rocha conta que criou o incenso Nossa Senhora de Aparecida, que leva pedrinhas azuis da cor do manto da santa e outras douradas. “Não ia fazer qualquer um”. Formado engenheiro agrônomo, o empresário conta que ficou dois meses testando a fórmula ideal do incenso, que leva olibano (matéria-prima) e erva cidreira. “Ele foi usado na missa de canonização do Frei Galvão. Foi uma bênção”, orgulha-se.

Feira reúne santinhos de tamanhos e formas diferentes (Foto: Carolina Iskandarian/G1)

Rocha, que importa mais de 17 tipos de incenso de países como a Grécia, Itália e Holanda, colocou à venda na feira a substância que aromatizou a missa de Bento XVI. “Tem saído bastante”. Atentas, as beatas Niceas Pillat, 73, e Aidê Matheus Raffani, cheiravam todos os potinhos com as essências. Compraram incensos para a casa delas e para a Igreja Nossa Senhora do Bonfim, em Santo André, no ABC, de onde vieram.

“Sou voluntária na igreja e é a primeira vez que venho à feira. Estou encantadinha”, diz Niceas. Já a amiga Aidê revela o verdadeiro motivo da visita. “Estamos aqui para dar palpite no que o pároco vai comprar para a nossa igreja. Somos as palpiteiras”, brinca a aposentada. De longe, o padre ouvia a revelação e ria, acostumado às brincadeiras da fiel voluntária.

Serviço

A ExpoCatólica será aberta ao público neste fim de semana – os dois primeiros dias foram para as pessoas diretamente ligadas ao setor – de 11h às 20h. O ingresso custa R$ 5 ou a doação de 1 kg de alimentos não-perecíveis, que irão para obras sociais, segundo explicou a assessoria de imprensa do evento.

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